quarta-feira, 29 de junho de 2016

Eu não quero falar disso. Se eu for falar disso eu não vou poder publicar esse texto nunca. É, nunca! Você ta achando que é drama? Então vai lá você ué. Vai lá! Vai que eu quero ver você chegando lá e entregando um monte de sentimento que ta ai mal resolvido. Vai? Cê vai? Viu? Vai porra nenhuma! E ainda vem aqui me encher a porra do saco pra eu falar disso e daquilo pra todo mundo ouvir. Vai tomar no seu cu.

Não. Não. Claro que não né? Cê acha o que de mim? Sério? O que que cê espera de mim? Ah, ta louco. Só pode ta de onda com a minha cara. E daí? E daí? Foda-se. Foda-se você, foda-se ela, fodam-se eles, foda-se essa porra toda! Dá uma olhada na minha cara de preocupado. Sinceramente, eu acho que eu to quase me acostumando a tomar tanta porrada. Eu seguro a onda. Na pior eu fico na merda, acabo com a minha vida, morro infeliz, me destruo na sarjeta completamente alucinado.


Ah ta. Cê num consegue nem ficar de pé direito. Tá até meio cinza já. Parece que ta apodrecendo de dentro pra fora. Ai, ta saindo sangue até agora. Cê ta achando que cê é o Rock Balboa irmão? Né não. Pode parar de gracinha cumpadi. Tu vai ficar quietinho ai, daqui pra frente eu é que vou resolver essa merda. Agora sou eu que mando nessa porra. Quando e se você voltar a ser o que era a gente conversa. Agora me deixa trabalhar. E para de querer ser tão grande.

sexta-feira, 24 de junho de 2016


me atiro nas esquinas

sou uma explosão silenciosa
um ruído inaudível
a cor do invisível

e nada me basta

terça-feira, 21 de junho de 2016

o futuro
é um tesouro enterrado
o qual busco
com absoluta certeza
sem nem sequer
saber crer 
o presente
é uma corda bamba
na qual danço
de olhos vendados
ao som de
um tango

segunda-feira, 20 de junho de 2016

o passado
é um campo minado
no qual passeio
com a delicadeza
de uma manada
de elefantes
deixo horas
espalhadas pela casa
e visto o tempo
pra me aquecer no frio

dois goles de silêncio
duas toneladas de desilusão

toalhas molhadas
roupas de baixo
no chão da cozinha
no fim da memória

a dança das almas
o atrito entre os corpos
as mentiras que insisto em repetir

deixo provas
espalhadas pelo tempo
e visto as memórias
pra me aquecer em casa

dois olhos em silêncio
duas toneladas de  desejo

roupas de baixo
molhadas
no chão da cozinha
no começo da tarde

a dança dos corpos
a sutileza entre as almas
a verdade que procuro esquecer

deixo
espalho
e visto

pra me aquecer

segunda-feira, 13 de junho de 2016

ecdise

cansei de jogar textos no lixo
de atirar horas no abismo
de não correr perigo

cansei de pensar em você
de imaginar encontros
de não correr perigo

cansei de me abster
de me esconder
de me reforçar
me blindar
me conter

todos sabem que eu sempre sobrevivo
mas não é sobre isso
nunca foi

é sobre explodir
é sobre entrega
sobre paixão e ódio
é sobre olhos nos olhos e sobre certezas imutáveis
é sobre diferenças irremediáveis

todos sabem que eu não deveria
não cabe mais a mim
não cabe mais em mim

não sou
nem devo ser
nem sei se quero

não sei mais nada

horas no abismo
perdendo o ar
preso a tantas coisas
preso e pesado
afundado
esperando pra descobrir

como criar daqui
como devorar memórias
como sangrar o próprio veneno

auto destruição através da privação da livre expressão
impossibilitando relações passadas presentes e futuras
comprometendo ações em todas as esferas da vida moderna

meu bem,
cansei de jogar textos no lixo
de atirar horas no abismo
estou correndo perigo

dias que peço morte
dias que peço salvação
dias que faço
dias que esqueço
dias que sonho
dias que sinto
dias que como
dias que devoro
dias que medito
dias que minto
dias que inexisto
dias que insisto
e os dias que calo
os dias que calo
             [morro

Multipliquei-me para me sentir
Para me sentir, precisei ser tudo,
Transbordei , não fiz senão extravasar-me.
Despi-me, entreguei-me
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus
                                                                 [diferente”
               
cansei

não sei se há amor no mundo
e havendo
não sei se faz sentido buscá-lo

não me reconheço
não me encontro nas palavras que saem da minha boca
sou o plano branco com o qual me deparo todas as manhãs na falta do espelho
sou a tela sem objetivo que adorna a parede sem objetivo de um lar sem objetivo
não me reconheço
e não tenho ideia alguma em que possa me reinventar

longe de mim estar perdido
apenas fui longe demais
sem chegar a lugar algum
sem poder voltar atrás
ainda sem saber qual é o melhor rumo a partir daqui

aqui

lugar mutável
lugar meu
lugar sempre
lugar peso
lugar prova
lugar único

lugar eu
lugar que eu vou deixar pra trás 

terça-feira, 7 de junho de 2016

tudo isso é silêncio
ocupando todo o espaço vago
preenchendo cada canto empoeirado
em cada gaveta vazia
e no armário que agora já nem faz mais sentido
pendurado nas paredes
comendo as plantas mortas
e na geladeira junto das garrafas d água
silêncio
todas essas letras são silêncio
todas as fotografias são silêncio
todos os novos projetos são silêncio
e acordar atrasado é silêncio
e ver nascerem novas sensações
e ver surgirem novos carinhos
novos amigos, novos sonhos
e aprender mais e suportar mais
e meditar
e comer o arroz da minha mãe
com ovo e requeijão
brincar com o gato
varrer o quarto
e lavar as roupas
silêncio
novos sons
velhos sons
desconstruções e afetos
sim e não
cedo e tarde
loucura e lucidez
tortura e prazer
esperança e saudade
tudo é silêncio
é força
é bruta dor
feito mármore
onde eu me sinto Berdini ou Corradini
fazendo finos véus
sentindo a textura de peles e carnes
saboreando calor e suavidade
em estruturas rígidas e frias
moldar silêncio
comer silêncio
sonhar silêncio
amar silêncio
florescer silêncio

romper